Adeus Verão
Como é ja hábito, nao faço ideia do que possa escrever, mas neste preciso momento estou a voltar, a pouco e pouco, atrás no tempo e a recordar alguns dos momentos deste Verão.. Não foi o melhor Verão da minha vida, claro que não, não sei sequer a que ano atribuir esse titulo, mas foi um Verão diferente.
Talvez nem todos saibam porquê. Eu sei, e isso basta-me.
O mais lógico seria começar a retrospectiva das férias pelo inicio, talvez mesmo pela a altura dos exames em Castelo branco, em que se desesperava pelas notas de Espanhol e Linguística (ainda cá estão atravessadas) mas não. Ainda estou demasiado preso aos acontecimentos recentes que de uma ou outra forma acabaram por marcar também este Verão. Em apenas uma semana "disse adeus" a um familiar e a um amigo de familia.
É inevitavel não voltar ao pensamento que ja tive tantas e tantas vezes..a fragilidade da vida. Podia fazer-se um mestrado disto, de tão confuso e complexo que é pensar e senti-lo.
Não se pode quantificar (quanto mais comparar) a dor da perda de alguém, mas se dificil é ver um familiar partir, apesar dos seus quase 78 anos, não é menos fácil ver partir um amigo que ainda agora tinha passado a barreira dos cinquenta...
Como se pode chorar alguém que conhecemos quase por acaso, como se sente um aperto cá dentro por alguém que não é da nossa familia, por vezes um aperto maior que o que teriamos por um dos nossos?
Como?...
Acho que os gestos que fazemos têm a grandeza que têm, e muitas vezes as nossas acções, muito mais que dignificar a pessoa que somos, reconfortam quem mais precisa.
A tristeza que me invadiu na última semana não irá apagar as boas recordaçoes que vai ficar deste verão.
Tanta coisa fantástica que aconteceu, desde as noites no Sudoeste, o campismo onde menos (alguém) esperava, a relva sempre enorme da piscina de Caria, as conversas com os meus avós, as cartadas com os meus amigos, os espalhos do Zé na piscina, as coças do Marco no bowling, as bolinhas de creme do Tiago, a amiga estranha do Eduardo que desaparecia por 20 minutos..ao por do Sol na Barragem..
Vou ter saudades deste Verão...agora fico realmente com a sensação de que estive em todo o lado e não estive em lado nenhum.
É bom ter tanto e tanta gente para recordar, é bom estar já com aquela saudade miudinha de quem não quer que o Verão acabe...é tao estranho olhar até há algum tempo atrás em que parecia não querer Verão, em que não queria sair da quietude de Castelo Branco?
Afinal, não devemos mesmo tomar nenhuma certeza como certa.
Descobri, mais uma vez, que só é certa durante pouco tempo, e que é muito facil entrarmos em contradição.



