12 de janeiro de 2008

Problemas de 2008

Já começou.

Menos de duas semanas bastaram para perceber que 2008 se adivinha complicado.

À partida, não tenho soluções para um ano decisivo.

À bom português devo continuar a deixar tudo para a última, à espera que a sorte e a capacidade de trabalho sob pressão dêem a preciosa ajuda que até aqui me tm vindo a salvar o couro sistematicamente.

Supostamente devo deixar de ser estudante este ano. Ou não. Mestrados para tudo e mais alguma coisa abrem a torto e a direito por esse país fora, pode ser que inesperadamente algum me faça pagar mais uns anos de propina.

Propinas, que de resto também aumentam este ano. A máxima está de malas feitas para rumar à ESECB.
Que sirvam para algo mais que consertar o pavimento do Bloco B que os olhos sonolentos das segundas-feiras teimam em não esquecer.

O ministério, que se diz ser do Ensino Superior mas pouco faz em prol do mesmo, anuncía aumentos no investimento.
A Presidência anuncia também também que o "novo" Aeroporto irá para a margem sul. Com humildade afirmo que espero um dia ver o resultado final - ainda ontem fiquei perplexo quando vi no DN que uma especie de gabinete de estudos para o dito aeroporto foi constituido na década de 70. Daí a esta data, trinta e poucos anos nos separam, os mesmos que a estatistica diz serem os de atraso para os grandes colossos europeus. Extraordinário.

Extraordinário é também o cenário no Sporting. Aqui está um exemplo de continuidade a não seguir - a crise de fins de 2007 acompanha a minha equipa de coração para 2008. É preciso muita coragem e sangue frio para assistir a jogos na televisão (a tal ponto que, para mim, quem desembolsa 40 e tal euros para ir ao estádio ver a miséria in-loco, ou é herói ou estúpido).

Continuam os aumentos, os assaltos já eram noticia habitual nas gasolineiras, agora passam também para as padarias. Pagar mais 30% que no ano passado é digno de um telefonema para a policia e consequente denúncia de roubo.

Pus-me a pensar, se de facto a minha semanada se visse reforçada em 30% eu casava-me!! (pelo registo civil é certo, que o tempo não e de euforias...)

3 de janeiro de 2008

2008 já aí...

...2007 já lá vai.

Saúde, felicidade, paz - tudo o que é bonito pedir mas que ninguém realmente aponta como prioridade.

Aí está um ano de 2008 com mais do mesmo: aumentos a torto e a direito em tudo o que se possa imaginar, sendo que no final do mês a folha de vencimento continuará a viver em 2007.

Não consigo conceber a viragem do ano como nada de novo. Nada começa verdadeiramente. Haverá alguém que realmente queira abdicar de tudo e queira recomeçar algo do zero?
Vejo-a antes como um mero detalhe no calendário, um golpe de baú para alguns e, na grande generalidade, um "continuous act" do que sempre tivemos.

E o que tivemos este ano não foi bom, queixam-se as estatisticas. Desemprego em alta, salários em baixa, saúde em queda.

É um facto, andamos todos descontentes. Eu próprio me sinto enganado pelos doutores e engenheiros que gerem este país que há cerca de um par de anos também eu elegi. Critico-os, mas em boa verdade não vejo quem possa fazer melhor. A Oposição passará mais dois anos de férias já que encontra num Governo (de maioria!) um aliado.

Será grave quando o desinteresse pela politica assumir contornos graves, mas já estivemos mais longe desse cenário.

2007 foi para mim um ano marcante. Ao ter a oportunidade de sair do país pude ver novas realidades, e sobretudo novas dificuldades. Aprendi a dar valor ao pouco ou ao muito que temos, a conhecer pessoas que por ironia do destino trocariam o dobro dos meus "problemas" por uma palavra de três letras que está a esvaziar-se de significado.

Significado foi também algo que juntei à palavra saudade, de tantas e tantas vezes a usei (e só agora percebo) sem o significado que lhe era devido.

A saudade é a palavra que define o meu ano de 2007. Por todos os que conheci, por todos os que fizeram parte da minha vida, por todos os que perto ou longe tenho o prazer de chamar amigos, por quem chorou pela minha falta, por familiares que o tempo levou e alguém especial que decidiu que o seu tempo havia terminado.

Existe uma frustração enorme ao tentar perceber o porquê de coisas para as quais não existe lógica aparente.

Disto, como em tudo na vida, posso tirar mais uma lição. Nada é eterno, o que tomamos por certo hoje pode fugir-nos pelos dedos amanhã.

Se 2008 não quiser ser melhor que 2007, que não seja pior.

Bom ano.